pazMeus caros amigos, a vida é curta; grande é o que a precede e o que a sucede. Nada acontece senão pela vontade de Deus; nada é, por conseguinte, senão legítima e alta justiça. Vossa miséria, quando vos  aperta, é um mal merecido, uma punição, não duvideis, de vossas faltas anteriores. Encarai-a bravamente e elevai os olhos ao alto com resignação: a bênção e o alívio descerão. Vossas aflições, por vezes são a prova pedida pelo vosso próprio Espírito, por vosso Espírito desejoso de chegar prontamente ao objetivo final, sempre entrevisto no estado de não encarnado.

No momento em que o mundo se agita e sofre, em que as sociedades, em busca do que é verdadeiro, se contorce num parto laborioso, Deus permite que o Espiritismo, isto é, um raio da eterna verdade, desça das altas regiões e vos esclareça. Nosso objetivo é vos mostrar o caminho, mas deixar vossa liberdade, ou seja, o mérito e o demérito de vossas ações. Escutai-nos, pois, e ficai certos de que a vossa felicidade é para nós uma viva preocupação. Se soubésseis quanto vossas más ações nos afligem; quanto os vossos esforços para a lei de Deus nos enchem de alegria! O Senhor nos disse: “Servidores de meu império, apóstolos devotados de minha lei, a todos levai a minha palavra; a todos explicai que a vida eterna será para os que praticam o Evangelho; a todos os homens fazei entender que o bem, o belo, o grande, degraus de minha eternidade, estão contidos nesta palavra: Amor.” O Senhor nos disse: “Espíritos velozes, correi a todos: aos mais infelizes e aos mais felizes; do rei ao artesão; do fariseu ao que se queima em ardente fé”. E nós vamos a todos os lados e gritamos ao infeliz: resignação; ao feliz: caridade, humildade; aos reis: amor aos povos; ao artesão: respeito à lei!

Meus amigos, no dia em que fizerdes melhor do que nos escutar, isto é, no dia em que praticardes nossos preceitos, não mais egoísmo, não mais inveja. Partindo daí, não mais misérias, não mais esse luxo que é o verme roedor das sociedades, e as destrói; não mais esses erros morais que perturbam as consciências; não mais revoluções, não mais sangue! Não mais esse triste preconceito que fez com que por muito tempo se acreditasse, nas famílias principescas, que o povo era uma coisa que lhes pertencia e que elas tinham um sangue diferente do sangue do povo; nada além da felicidade! Vossos governos serão bons, porque governantes e governados terão tirado proveito do Espiritismo. As Ciências e as Artes, levadas sobre as asas da divina caridade, se elevarão a uma altura que não suspeitais; vosso clima, saneado pelos trabalhos agrícolas; vossas colheitas mais abundantes; as palavras tão profundas de igualdade e fraternidade enfim interpretadas sem que ninguém sonhe despojar aquele que possui, realizarão, eu vos afirmo, as promessas do vosso Deus.

“Paz, disse o Seu Cristo, aos homens de boa vontade!” Não tivestes a paz porque não tivestes a boa vontade. A boa vontade, para os pobres e para os ricos, se chamará caridade. Há caridade moral, como há caridade material, e não a tivestes, e o pobre foi tão culpado quanto o rico!

Escutai-me bem: Crede e amai! Amai: muito será perdoado a quem muito amou.

Crede: A fé transporta montanhas.

Prudência e doçura no apostolado novo: vossa melhor prédica será o bom exemplo.

Lamentai os cegos: os que não querem ver a luz. Lamentai, mas não censureis.

Orai, meus amigos, e a bênção de Deus será com as vossas almas. O facho da vida irradia; em todos os lados do horizonte acendem-se faróis; a tempestade vai sacudir e talvez quebrar os barcos! Mas o piloto que, sobre a vaga furiosa, olhar sempre o farol, chegará à margem e o Senhor lhe dirá: “Paz aos homens de boa vontade; sê bendito, tu que amaste; sê felizes, pois trabalhaste pela felicidade de outrem. Meu filho, a cada um segundo suas obras!”

F. D., antigo magistrado


Fonte: Revista Espírita, Ano VI, volume 2, fevereiro de 1863