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Quem foi Allan Kardec: vida e obra? 

Os Príncipios Espíritas

 

Os princípios fundamentais do Espiritismo encontram-se bem definidos no belo discurso proferido por Allan Kardec por ocasião do dia de finados, publicado na  Revue Spirite de dezembro de 1868. 

  1. Crer num Deus todo-poderoso, soberanamente justo e bom;

  2. crer na alma e na sua imortalidade;

  3. na preexistência da alma como única justificativa da presente existência;

  4. na pluralidade das existências como meio de expiação, reparação e adiantamento intelectual e moral;

  5. na perfectibilidade dos seres mais imperfeitos;

  6. na felicidade crescente com a perfeição;

  7. na remuneração equitativa do bem e do mal, segundo o principio: a cada um segundo as suas obras;

  8. na igualdade da justiça para todos, sem exceções, favores nem privilégios para criatura alguma;

  9. na duração da expiação limitada à da imperfeição;

  10. no livre-arbítrio do homem, deixando-lhe a escolha entre o bem e o mal;

  11. crer na continuidade das relações entre o mundo visível e o mundo invisível;

  12. na solidariedade que liga todos os entes passados, presentes e futuros, encarnados e desencarnados;

  13. considerar a vida terrestre como transitória e uma das fases da vida do Espírito, que é eterna;

  14. aceitar corajosamente as provas, visto ser o futuro mais desejável que o presente;

  15. praticar a caridade por pensamentos, palavras e obras, na mais ampla acepção do vocábulo;

  16. esforçar-se cada dia para ser melhor do que na véspera, extirpando da alma alguma imperfeição;

  17. submeter todas as suas crenças ao controle do livre exame e da razão e nada aceitar por uma fé cega;

  18. respeitar todas as crenças sinceras, por mais irracionais que nos pareçam e não violentar a consciência de ninguém;

  19. ver enfim, nas descobertas da Ciência, a revelação das leis da Natureza, que são as leis de Deus".

 

A Codificação Espírita

 

Allan Kardec empreendeu o trabalho de pesquisa científica dos fenômenos mediúnicos, analisando cuidadosamente as informações recebidas de ampla diversidade de espíritos e suas consequências filosóficas e morais. Com todo esse trabalho, Kardec compilou vasto conjunto de conhecimentos criando a palavra "Espiritismo" ou "Doutrina Espírita" para designá-lo, constituindo-se na "Codificação Espírita". Fenômenos chamados de sobrenaturais sempre existiram na Terra permanencendo restritos de forma isolada, sem uma visão global e de continuidade. 

Com a codificação espírita retirou-se um véu sobre o conhecimento da vida para humanidade.

 

Obras da codificação:

 

O Livro dos Espíritos (18 de abril de 1857)

O Livro dos Médiuns (Janeiro de 1861)

O Evangelho Segundo o Espiritismo (Abril de 1864)

O Céu e o Inferno (Agosto de 1865)

A Gênese (Janeiro de 1868)

 

Obras complementares:

 

Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas (1858)

O Espiritismo em sua mais Simples Expressão (1858)

O que é o Espiritismo (1859)

Viagem Espírita em 1862 (1862)

Catálogo Sistemático das Obras para se Fundar uma Biblioteca Espírita (1869)

Revista Espírita (1858-1869)

Após sua morte em 31/03/1869:

Obras Póstumas (1890)

 

 

Aspecto religioso do Espiritismo

O Espiritismo não é uma religião formal. O aspecto religioso do Espiritismo refere-se as suas consequências e aplicações morais do Espírito (Homem) no domínio da religião, que por definição segundo Léon Denis envolve a "concepção geral que, do mais íntimo da vida interior, eleva o pensamento às culminâncias da Criação até Deus e liga todos os seres numa cadeia interminável".

Leia ou ouça o discurso proferido por Allan Kardec em 1869: O Espiritismo é uma Religião?

Audio: O Espiritismo é uma Religião?

 

Espiritismo e Espiritualismo

 

Na Introdução do Livro dos Espíritos, Kardec nos esclarece o termo "Espiritismo" empregado para designar toda a doutrina ensinada pelos espíritos. 

As palavras Espiritualismo e Espiritual relacionam-se em oposição ao Materialismo. Materialista é aquele que crê somente na matéria, e portanto, o ser humano se acaba com a morte. O Espiritualista crê em algo além da matéria, ou seja, o homem sobrevive após a morte corporal de alguma forma, como Espírito, Alma, Ego, etc. Existem diversas filosofias espiritualistas. 

O Epiritismo é também oposto ao materialismo, porém se baseia na existência eterna dos Espíritos em longa jornada de evolução espiritual, e ainda nas comunicações existentes entre os planos espiritual (mundo invisível) e corporal (mundo visível). O Espírita ou Espiritista é o adepto do Espiritismo ou Doutrina Espírita.  

Assim o Espírita também é um Espiritualista, mas nem todo o Espiritualista é um Espírita.

O que caracteriza o Espírita é o norteamento de sua vida segundo os princípios espíritas acima definidos vivendo transitoriamente em mundos físicos, com finalidades evolutivas, e que o único determinismo é o aperfeiçoamento constante do espírito imortal.

"O verdadeiro Espírita não é aquele que simplesmente crê nas manifestações espíritas, mas aquele que faz bom proveito dos ensinamentos dados pelos Espíritos. Nada adianta acreditar se a crença não faz com que se de um passo adiante no caminho do progresso e que não o faça melhor para com o próximo" (Allan Kardec, O Espiritismo em sua expressão mais simples).

 

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