MoacyrFranco ChicoXavierNuma tarde estava sozinho em minha casa. O tempo estava escuro devido à chuva. Resolvi tomar um café. Fui até a cozinha e em seguida me sentei na sala de estar com o café na mão. Na verdade, não estava sozinho. Minha cachorra estava deitada na sala aguardando o tempo passar.

Liguei a TV e passando pelo canal no Youtube, vi um vídeo intitulado “Moacyr Franco – Chico Xavier” e comecei assisti-lo. A imagem do Moacyr Franco me remeteu ao meu tempo de infância e adolescência quando a televisão era fortemente ligada à vida no interior paulista, onde vivi.

Moacyr Franco era o homem de sucesso que muitos almejavam. Um grande “showman”. Cantor, grande compositor, apresentador de TV, humorista, etc. Seu carisma indescritível sempre foi a marca de como vencer na vida. Agora na minha frente, vi um Moacir idoso (83 anos) típico do avanço imperdoável do tempo, segundo a segundo, dia após dia. Não era mais aquele show altamente produzido e pomposo como o Moacyr Franco Especial. Numa simplicidade à flor da pele mostra um mesmo artista, mais maduro, numa sensibilidade fruto da aprendizagem ao longo de uma brilhante carreira com emoções a cada instante.

Sua desenvoltura continua a de um artista nato, embora o tempo imponha limite às nossas atividades físicas, como que dizendo: “use agora a reflexão sobre a sua vida”.

Ele inicia: “Eu queria deixar para meus filhos, uma lembrança da minha (...emociona-se), do que eu fui. Minha opinião sobre as coisas, sobre a vida e tal para eles, mesmo que não interessasse a mais ninguém. E levei quase dois meses gravando a Bíblia.”

As suas palavras como preludio de uma canção, deixa o público apreensivo, afinal do que ele está falando? E continua: “...e o dia em que terminei a gravação, era já de madrugada e a última frase da Bíblia da edição que eu gravei, era uma frase do Cristo que dizia: - “Eu venci o mundo”. Quando acabei de dizer essa frase, eu comecei a chorar e chorava, chorava, chorava. O técnico veio à cabine que eu estava e disse: “- está chorando por que?” e eu disse a ele: “ – eu estou tentando procurar na minha mente aqui, em toda a minha história, por ande eu viajei, todo mundo que eu conheci, as multidões, quem é um cristão como Jesus?” e acabei de descobrir, um brasileiro. Eu vou contar a história e vocês vão também descobrir no meio da história.”

O desenrolar da canção é acompanhado de forte emoção de Moacyr transmitindo vibrações de paz, esperança a todos os ouvintes. A inspiração poética de Moacyr pode parecer um exagero tendo em vista o trabalho de Chico Xavier a quem a humanidade lhe deve muito, como exemplo de vida. Mas com o olhar bem distante do agora, vi uma mensagem de que temos ainda muito e muito a percorrer no caminho do Bem Comum, diante da vida eterna. E assim, não é difícil imaginar Chico Xavier como um velho chorando pela Humanidade que tem muito a crescer. E nada melhor para refletirmos sobre isso do que uma tarde chuvosa...


Sobre o autor

Raul Franzolin Neto: nasceu em Botucatu-SP e desenvolveu sua infância e adolescência em Itatinga-SP. Formou-se Médico Veterinário e tornou-se Professor Titular e pesquisador da USP. Escritor e médium espírita foi o fundador do primeiro grupo espírita da internet, o GEAE - Grupo de Estudos Avançados Espíritas. Atualmente é o editor principal e webdesigner da página do GEAE.

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