CAPITULO IV

PAPEL DA CIÊNCIA NA GÊNESE

    A religião era preponderante na história dos povos antigos, de tal modo que os primeiros livros sagrados continham toda a ciência e as leis civis da época. Sendo imperfeitos seus meios de observação, também incompletas eram as teorias sobre a criação. O desenvolvimento das ciências proporcionou ao homem os dados necessários ao surgimento de uma Gênese positiva e, de certo modo, experimental. Acompanhou-se a formação gradual dos astros através de leis eternas e imutáveis, que demonstravam a grandeza e sabedoria do Criador.

    A gênese de Moisés, dentre as teorias antigas, é a que mais se aproxima dos dados científicos atuais, levando-se em conta que seu conteúdo original deturpou-se nas traduções de língua para língua, além do fato de os escritos antigos serem feitos de modo alegórico. O receio de comprometer o conteúdo das crenças contidas na Bíblia, de ferir o princípio da imutabilidade da fé, além da falta de conhecimentos científicos, fez com que o homem permanecesse estacionário em progresso, até que a Ciência viesse a demonstrar os erros da Gênese moisaica tomada ao pé da letra.

    Mesmo respeitando-se a Bíblia como sendo revelação divina, deve ser considerado que nenhuma revelação pode sobrepor-se à autoridade dos fatos, de modo que, diante das flagrantes contradições entre as descobertas científicas e os Textos Sagrados, conclui-se que foram as revelações mal interpretadas. A Ciência segue seu caminho em busca da verdade e as religiões não podem permanecer estacionarias. "Uma religião que não estivesse, por nenhum ponto, em contradição com as leis da Natureza, nada teria que temer do progresso e seria invulnerável".

A Gênese se divide em duas partes:

1)- A história da formação do mundo material;
2)- A história da Humanidade e seu princípio corporal e espiritual.

    A Ciência tem estudado a primeira parte, completando a Gênese de Moisés, deixando à Filosofia o estudo da segunda, a qual chegou a conclusões contraditórias, o que levou muitas pessoas a seguir a religião convencional. Todas as religiões pregam a existência da alma. Quanto à sua origem, passado e futuro, impõem os dogmas que pressupõem a fé cega levando a muitos a dúvida e a incredulidade; A incerteza quanto ao futuro leva o homem à predominância do interesse às coisas da vida material.

    O mecanismo do Universo e a formação da Terra só foram entendidos quando se conheceu as leis que regem a matéria. Por desconhecer as leis que regem o princípio espiritual, permanece a Metafísica no campo das teorias e especulação. A Mediunidade foi para o mundo espiritual o que o telescópio representou para a Astronomia, permitindo ao Espiritismo experimental o estudo das relações entre o ser material e o ser inteligente, o que permitiu seguir-se a alma em sua marcha ascendente, suas migrações e transformações.  Era o instrumento que faltava aos comentadores da Gênese para a compreenderem e lhe retificarem os erros. Sendo solidários os dois mundos, somente o conhecimento de suas leis permitiu a constituição de uma Gênese completa, embora aproximativa.


 

   Fonte: BOLETIM GEAE | ANO 10 | NÚMERO 428 | JANEIRO DE 2002