Boletim GEAE

Grupo de Estudos Avançados Espíritas

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Fundado em 15 de outubro de 1992
Boletim Quinzenal de Distribuição Eletrônica

"Fé inabalável é somente aquela que pode encarar a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade", Allan Kardec

Ano 11 - Número 460 - 2003           29 de julho de 2003

 

Editorial

Kardec, Chico e nós


Artigos

Entrevista com Hermínio C. Miranda, Folha Espírita, Brasil

Doce Libertação, Ademir Xavier Jr., Brasil


História & Pesquisa

O Espiritismo em Cuba, Washington Fernandes, Brasil
A pesquisa da Reencarnação, Milton Piedade, Brasil
Reencarnação, trechos de entrevista com o Dr. Ian Stevenson, RIE

Questões e Comentários

Texto sobre o suicídio no Boletim 334, Ricardo, Brasil

Painel

Novidade dos Estados Unidos, Elza D’Agosto

Divaldo Franco na Europa em 2003, Elsa Rossi

Desencarnação do Sr. Horace Willer



Editorial

Kardec, Chico e nós 

Caros Amigos,   

Temos acompanhado as notícias sobre o aniversário de desencarnação de Francisco Cândido Xavier e recebido diversos e-mails perguntando sobre sua identificação com Allan Kardec. A questão é dificil de ser respondida sem uma pesquisa mais detalhada, que permita validar todas as evidências a favor e contra a hipótese do Chico ter sido Kardec reencarnado.

Há argumentos em favor da tese, principalmente pela forma extraordinária com que Chico exerceu o mediunato. Não seria possível ter realizado tal tarefa sem uma impressionante bagagem espiritual - tanto moral como intelectual - que servisse de base para facilitar a comunicação entre os dois planos da vida. Bagagem inconsciente, trazida de vidas passadas, de onde os espíritos comunicantes poderiam tirar os recursos necessários para transmitirem de forma segura os ensinamentos que marcaram a história do Espiritismo.

Por outro lado, a personalidade do "Mineiro do Século" parece muito diferente da personalidade do "Mestre de Lion". Chico representou a  "caridade encarnada" para todos que dele se aproximaram, enquanto que o Codificador da Doutrina Espírita foi chamado de  "razão encarnada" por seus biógrafos. Naturalmente as circunstâncias de cada vida poderiam ter influenciado o lado da personalidade que mais se destacou, mas isso precisaria ser investigado cuidadosamente antes de ser aceito como fato.

Deve-se notar também que o conjunto de espíritos iluminados que participou da Codificação Espírita não foi pequeno e não seria nada extraordinário que um deles tivesse retornado a Terra para colaborar na continuidade do trabalho iniciado por Kardec. Examinando bem a famosa mensagem de Zéfiro, transcrita abaixo, não é dificil de se chegar a conclusão de que a volta de Kardec só se dará no futuro, quando o Espiritismo se tornar uma filosofia religiosa mais difundida e a humanidade estiver pronta para novos ensinamentos.

Tudo isto deve ser pesado pelo pesquisador que buscar o esclarecimento da questão. Também devem ser analisadas outras comunicações mediunicas que possam trazer contribuições ao estudo proposto. Lembrando-se apenas que - conforme está explicado no Livro dos Médiuns - uma informação transmitida mediunicamente deve passar pelo crivo da razão e do consenso antes de ser aceita como um fato.

Enquanto a questão não for decidida pela pesquisa, a prudência recomenda deixá-la para o foro íntimo de cada um. Uma hipótese, que pode ser verdadeira ou não, que deve ainda passar pelo teste do estudo científico e da prova do tempo. Até seria recomendável considerá-la como "não aceita", pois, como Allan Kardec nunca deixou de frisar, na ausência de provas convincentes sempre é melhor rejeitar várias hipóteses verdadeiras do que aceitar uma única falsa. E a hipótese discutida tem forte peso emocional, pela grande estima que os espíritas e os brasileiros dedicam ao notável missionário da caridade, o que justifica o uso da prudência.

Uma aceitação prematura poderia trazer alguns inconvenientes, seja dando argumentos aos detratores da Doutrina pela facilidade com que tal proposta foi aceita, seja levando alguns companheiros a tirarem conclusões apressadas do fato e passarem a considerar Chico como um ente diferente dos demais espíritos. Não seria grande surpresa esta linha de raciocínio, considerando os precedentes históricos. Grandes vultos das diversas religiões e filosofias espiritualistas do passado foram aos poucos - pela ação bem-intencionada, porém equivocada, dos seus admiradores - perdendo sua dimensão humana. Deixaram de ser exemplos a serem seguidos para tornarem-se objetos de devoção.

Esta posição - de dúvida moderada - nos parece a melhor, principalmente porque em nada afeta a qualidade da obra de Francisco Cândido Xavier este ter sido Kardec ou não.

Muita Paz,
Os Editores

Mensagem de Zéfiro sobre a reencarnação de Allan Kardec

Recebida em sessão na casa do Sr. Baudin pela médium Srta. Baudin em 17 de janeiro de 1857
(Mensagem transcrita do texto "Primeiro Anúncio de uma nova Encarnação", pág. 241, que se encontra no livro "Obras Póstumas", trad. Sylvia Mele Pereira da Silva, da coleção das obras completas de Kardec publicada pela EDICEL. Os grifos são nossos)

Caro Amigo, não quis escrever-te na terça-feira passada, na presença de todos, porque há certas coisas que só devem ser ditas entre nós.

Queria, primeiramente, falar a respeito de tua obra, aquela que mandaste imprimir. (O Livro dos Espíritos tinha ido para o prelo). Não te esforces tanto, noite e dia, Sentir-te-ás melhor e a obra não perderá nada por esperar.

Pelo que vejo tens bastante capacidade para levar a bom têrmo a empresa e fôste chamado para realizar grandes coisas.  Mas não exageres: vê e aprecia tudo sã e friamente. Não te deixes levar pelos entusiastas e precipitados. Calcula bem todos os teus passsos e tuas atividades para que possas atingir o objetivo com segurança. Só acredita no que vires. Não te desvies do que te parecer incompreensível.  Saberás mais que qualquer outro, porque os assuntos de estudo serão postos sob os teus olhos.

Mas, ah ! Infelizmente a verdade não será conhecida e aceita por todos senão daqui a longo tempo. Nesta existência só verás a aurora do sucesso de tua obra. Será preciso que voltes, reencarnado em um outro corpo, para completar o que tiveres começado, e terás então a satisfação de ver em plena frutificação a semente que tiveres espalhado na Terra.

Terás invejosos e competidores que procurarão denegrir-te e combater-ter. Não desanimes; não te inquietes com o que disserem ou fizerem contra ti: prossegue tua obra; trabalha sempre pelo progresso da Humanidade e será amparado pelos bons Espíritos enquanto perseverares no bom caminho.

Lembras-te de que há um ano prometi minha amizade àqueles que, durante o ano, tivessem se mantido de maneira conveniente em toda sua conduta ? Pois bem ! Anuncio-te que és um dos que escolhi entre todos.

Teu amigo que te ama e protege,
Z.

Da nota de Herculano Pires sobre a mensagem: Z. ou Zéfiro era o protetor da família Baudin e estava naturalmente ligado ao trabalho de Kardec (...). As meninas Baudin tiveram a missão mediúnica de receber "O Livro dos Espíritos". Bastaria isso para mostrar que Z. estava encarregado de trabalho bastante sério (...) Quanto à nova encarnação de Kardec, embora existam muitos candidatos ao pôsto em nossos dias, é evidente que é ainda muito cedo. Zéfiro anunciou que ele voltaria para completar o que havia começado. Mas a verdade é que só agora a obra de Kardec começa a ser estudada a sério e tem ainda muito a nos dar, para depois, só depois, poder ser completada.

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Artigos


Entrevista com Hermínio C. Miranda, Folha Espírita, Brasil

(Esta Entrevista foi publicada recentemente na Folha Espírita)

FE: Quando e como foi que o senhor fez sua opção pelo Espiritismo?

Herminio Miranda: Não fui levado ao Espiritismo por crise existencial ou sofrimento, mas pela insatisfação com os modelos religiosos à minha opção. Alguém – mergulhado em transe anímico regressivo – me diria mais tarde que eu não aceitava tais propostas porque, de alguma forma que não me foi explicado, eu sabia que ali não estava a verdade que eu buscava. Essa atitude de reserva e até de rejeição contribuiu, acho eu, para retardar minha descoberta da realidade espiritual.

Um episódio irrelevante em minha vida desencadeou o processo. Eu quis, no entanto, entrar pela porta da frente. Consultei, para isso, um amigo de minha inteira confiança e ele me indicou com primeira leitura os livros da Codificação. Acrescentou os nomes de Gabriel Delanne e de Léon Dénis e me disse, como que proféticamente: “Daí em diante, você irá sozinho”.

A surpresa começou com O Livro dos Espíritos. Inexplicavelmente, eu tinha a impressão de haver lido aquele livro antes, mas onde, quando? Antecipava na mente o conteúdo de numerosas respostas . Anos depois, ficaria sabendo que outras pessoas viveram experiência semelhante, entre elas, o respeitável e amado dr. Bezerra de Menezes. 




FE: Desde quando o senhor escreve sobre o Espiritismo?

Herminio Miranda: Comecei a escrever regularmente para o “Reformador e, em seguida, para outras publicações doutrinárias. Permaneci como colaborador assíduo do órgão oficial da FEB até 1980. Meus textos eram assinados nessa primeira fase, com as iniciais HCM. Posteriormente, o amigo dr. Wantuil de Freitas, presidente da FEB, me pediu que arranjasse um pseudônimo para evitar que dois ou mais artigos saíssem com o mesmo nome em um só número da revista. Foi assim que “nasceu” “João Marcus”.

A partir de 1976 começaram a sair os livros. Diálogo com as sombras foi o primeiro. Para alegria minha, foi bem recebido



FE: O senhor tem hoje quase 40 livros publicados. Como analisa sua obra?

Herminio Miranda: Costumo dizer que boa parte de meus livros é voltada para o meio espírita. Diálogo com as sombras, Diversidade dos Carismas, bem como a série sob o título genérico Histórias que os espíritos contaram” são exemplos desse tipo de livro que dificilmente leitor e leitora não-espírita tomariam para ler.  Sempre achei, contudo, de meu dever escrever livros que, sem excluir o leitor espírita, pudessem interessar também o leitor não-espírita. Estão nesse caso, A memória e o tempo, Alquimia da Mente, Autismo – uma leitura espiritual, Nossos filhos são espíritos, Condomínio espiritual e As mil faces da realidade espiritual. Parece que o plano deu certo, pois essas obras atendem a dois objetivos: o de mandar nosso recado para além das fronteiras espíritas e, ao mesmo tempo, abordar assuntos não especificamente espírita com enfoque doutrinário, sem contudo, fazer pregação ou com intuito meramente arregimentador. Na minha opinião, a gente deve ir ao Espiritismo se e quando quiser e por suas próprias pernas, ou seja, sem ser “arrastado”.



FE: O senhor tem idéia de quantos exemplares de seus livros foram vendidos até agora?

Herminio Miranda: A repórter de uma grande revista semanal brasileira me fez, há tempos, essa mesma pergunta e muito se admirou por não ter eu condições de respondê-la. Continuo sem saber. Cheguei a tentar, mas não obtive a informação desejada. A razão disso está, em parte, no fato de que os direitos autorais da grande maioria de meus livros são doados a diversas instituições, como à FEB, ao Lar Emmanuel, do Correio Fraterno do ABC, a OCaminho da Redenção (Divaldo), ao Centro Espírita “Amantes da Pobreza, de “O clarim, ao Centro Espírita Léon Denis. Com os rendimentos auferidos pelos livros publicados pela Lachâtre mantemos nosso próprio serviço social numa favela do Rio de Janeiro.



FE: E quais os de sua preferência?

Herminio Miranda: Creio ser difícil para qualquer autor dizer de que livro ou livros gosta mais. É como perguntar a um pai ou mãe, qual ou quais os filhos e filhas de suas preferências. Penso que a gente gosta de todos por motivos diferentes. Tanto quanto é possível considerar minha obra com um mínimo de objetividade e isenção, gosto de Nossos filhos são espíritos, pela surpreendente aceitação que encontrou dentro e fora do movimento espírita, o que também aconteceu com Autismo – uma leitura espiritual.  Livros como Cristianismo – a mensagem esquecida, As marcas do Cristo, O evangelho gnóstico de Tomé, Os cátaros e a heresia católica, pela forte ligação emocional que tenho com a temática do cristianismo primitivo. Sobre as explorações intelectuais em território fronteiriço com o do Espiritismo, citaria A memória e o tempo, Alquimia da Mente e, novamente, por motivação diferente da anterior, Autismo – uma leitura espiritual.

Como se vê, isto não é propriamente uma lista de preferências, mas uma análise de cada grupo de livros, classificados por assuntos de minha preferência. Sobre a qualidade e o conteúdo dos livros, no entanto, prefiro que fale o público leitor.



FE: Além de seus próprios livros, o senhor tem feito algumas traduções. Qual o critério adotado na seleção das obras traduzidas?

Herminio Miranda: Tenho dito que prefiro escrever meus próprios livros do que traduzir os alheios. É verdade, mas, às vezes, me vejo envolvido numa tradução motivado por fatores que diria  imponderáveis, circunstanciais ou subjetivos. Não sei definir os critérios que me levaram a esse envolvimento. Cada caso é um caso.



FE: O que pensa o senhor do Espiritismo na sua interação com o mundo contemporâneo?

Herminio Miranda: Prefiro reformular a pergunta: O que se pode dizer acerca da interação da realidade espiritual com o mundo contemporâneo? Isso porque, no meu entender, não há uma rejeição ou indiferença em relação ao Espiritismo especificamente, mas à realidade que a Doutrina dos Espíritos ordenou e colocou com simplicidade e elegância. O Espiritismo continua sendo um movimento minoritário, até mesmo no Brasil, justamente considerado o país mais espírita do mundo. Como se percebe, a massa maior das pessoas ainda prefere uma das numerosas religiões institucionalizadas e tradicionais. Ou a aparente liberdade que proporcionaria a descrença, que não tem compromisso com coisa alguma senão com a própria negação.  O que, no fundo, e também uma crença (na descrença).



FE: O senhor tem algum projeto literário em andamento?

Herminio Miranda: Acho que projetos o escritor sempre os tem. Eu também; talvez mais do que deveria ou poderia ter. No momento, traduzo The sorry tale, discutido livro mediúnico da autora espiritual que se identificou como Patience Worth, ao escrevê-lo através da médium americana conhecida como Sra. Curran, a partir de 1918. Além de ser um fenômeno literário, a história se passa no tempo do Cristo, da noite em que ele nasceu até o dia em que foi crucificado. É espantoso o conhecimento que a autora espiritual revela da época: a geopolítica, os costumes, a sociologia, a religião, a história e tudo o mais. O tratamenteo respeitoso e amoroso que ela dá à figura de Jesus é comovente. O livro é considerado um fenômeno exatamente por esse grau de erudição histórica e pelo fato de ter sido escrito num inglês um tanto arcaico, o elizabetano do século 17, que faz lembrar Shakespeare e, por isso mesmo, um desafio para o tradutor. A entidade justifica essa lignuagem arcaica exatamente para provar que a obra não era da médium, uma jovem senhora dotada de escassos conhecimentos.



FE: Como o senhor escolhe os temas que desenvolve em seus livros, considerando-se a variedade dos assuntos neles abordados?

Herminio Miranda: Outra pergunta para a qual não tenho resposta objetiva. Às vezes (Ou sempre?) me fica a impressão de que não fui eu que escolhi os temas; eles é que me escolheram.



FE: Seu livro mais recente – Os cátaros e a heresia católica – aborda uma doutrina medieval bastante parecida com o Espiritismo. Diga-nos algo sobre isso.

Herminio Miranda: O estudo sobre os cátaros esteve em minha agenda cerca de 25 anos. Até que chegou o momento em que a própria obra “entendeu” que chegara a hora de ser escrita. Em parte, porque o tema exigia extensas e aprofundadas pesquisas na historiografia especializada francesa. Além disso, procurei sempre obedecer nos meus estudos uma escala de prioridades.

Não há dúvida de que o catarismo foi um dos mais convincentes precursores do Espiritismo. Antes dele, o mais promissor e bem articulado foi o movimento gnóstico. A inteligente doutrina cátara foi elaborada a partir do Evangelho de João, de Atos dos Apóstolos e das Epístolas, principalmente as de Paulo. Tive algumas surpresas como a de encontrar referências ao Consolador, que, com tanto relevo figura na Doutrina dos Espíritos. E mais: reencarnação, comunicabilidade entre as duas faces da vida, o despojamento dos cultos, sem rituais e sem sacramentos a não ser o do “consolamentum”. Seu propósito era o de um retorno à pureza original do cristianismo. E por isso, morreram nas fogueiras da Inquisição.



FE: O senhor tem obras não-espíritas publicadas?

Herminio Miranda: No início de minha atividade literária, na distante mocidade, escrevi alguma ficção. Nada de que me possa orgulhar, ainda que tenha sido premiado em concursos literários e ter tido acesso a importantes publicações brasileiras. Um desses escritos mereceu crítica bastante lisonjeira de significativos escritores como Eloy Pontes (O Globo), Monteiro Lobato e o temido e respeitado Agripino Griecco (estes dois em cartas ao autor). Logo compreendi, contudo, que meu caminho não passava por ali, embora o instrumento de trabalho – a palavra escrita – fosse o mesmo.



FE: Sabe-se de sua limitada atividade como orador, expositor, palestrante ou conferencista. Por que isso?

Herminio Miranda: Considero-me orador medíocre. E nem me esforcei em desenvolver esse improvável talento, por duas razões: Primeira – sempre sonhei e desejei tornar-me escritor. Sinto-me à vontade com as letras. Segundo – que, no meu entender, não faltam bons oradores, expositores e conferencistas no meio espírita. Eu nada teria a acrescentar ao excelente trabalho que eles e elas têm feito nesse sentido.



FE: Como tem sido sua atividade em grupos mediúnicos?

Herminio Miranda: Durante quase 40 anos participei de trabalhos mediúnicos em pequenos grupos. A parte  mais importante de minha obra surgiu da experiência adquirida nessa tarefa. Sou grato aos amigos espirituais que guiaram meus passos nessa nobre e difícil atividade, bem como aos  companheiros encarnados – médiuns e demais participantes – e às numerosas entidades com as quais dialogamos no correr de todo esse tempo. Costumo dizer com toda sinceridade e convicção que muito mais aprendi com os chamados “obsessores” do que lhes ensinei, se é que o fiz.



FE: Dispomos hoje de computadores, Internet, e-mail e outras tecnologias destinadas a facilitar a pesquisa. De que forma o senhor deu conta de seu trabalho sem o aparato de hoje?

Herminio Miranda: O computador me tem sido valioso instrumento de trabalho. Não tanto nas pesquisas, mas na tarefa mesma de escrever. No tempo da falecida máquina de escrever, os textos eram penosamente datilografados, corrigidos à mão ou na própria máquina e posteriormente passados a limpo, duas ou três vezes.
Não uso muito a Internet para pesquisa, a não ser quando se torna necessária alguma informação adicional especializada. Ou quando à cata de livros. Isso porque, no meu entender, nada substitui o livro como objeto de estudo, consulta e citação. Obras como as que escrevi sobre o autismo, por exemplo, ou sobre os cátaros ou Alquimia da mente, exigiram preparo maior que só uma boa bibliografia em várias línguas poderia suprir. Em suma, por mais que os entendidos da informátrica desaprovem, o computador é, para mim, uma excelente e sofisticada máquina de escrever.



FE: Qual deve ser a postura espírita diante da antiga dicotomia e até confronto entre religião e ciência?

Herminio Miranda: De serenidade e confiança. Não há o que temer. Ao lado de cientistas que têm procurado minimizar ou até demolir aspectos fundamentais da realidade espiritual, temos também, outros tantos que produziram e continuam a produzir impressionante volume de trabalhos científicos que demonstram a validade do modelo adotado pela Doutrina dos Espíritos. Dizem nossos amigos advogados, que o ônus da prova cabe a quem acusa. Que se prove, então, que essa realidade é uma balela ou uma fantasia. Kardec teve a corajosa serenidade de ensinar que a Doutrina teria de estar preparada até para mudar naquilo que fosse demonstrado estar em erro. O que não aconteceu em quase século e meio. Deixou igualmente claro que o Espiritismo é uma doutrina evolutiva e, portanto, aberta e atenta a todos os ramos do conhecimento. Ou seja, não deve deixar-se congelar dentro de um rígido modelo ou procedimento que o isole do que se passa “lá fora” de seu território ideológico.



FE: Assuntos como  clonagem, que vêm ganhando espaço na mídia, devem ser tratados pelos espíritas?

Herminio Miranda: Não tenho dúvidas de que a temática da clonagem nos interessa para estudo e tomada de posição, mesmo porque perguntas sobre esse fenômeno estão sendo dirigidas a nós. “O que você acha disso?” – perguntam-nos.

Em artigo intitulado “Xerox de gente” (“Reformador”, julho de 1980) cuidei do assunto, bem como, em outras oportunidades, da criogenia e do transplante. Este, por exemplo, foi tema proposto por Deolindo Amorim, em estudo, do qual participei, no Instituto de Cultura Espírita. 

Antes disso, em dois artigos intitulados “O homem artificial”, publicados no antigo “Diário de Notícias”, do Rio, entendia eu o seguinte, em conclusão “...o que se chama um tanto pomposamente de criação do homem em laboratório, se reduz, a uma análise fria do problema, à criação de condições materiais à atuação de um espírito reencarnante.” (Ver De Kennedy ao homem artificial, de Luciano dos Anjos e meu, FEB 1975, p. 285).

O problema, portanto, situa-se no açodamento irresponsável de interferir nos mecanismos naturais testados, aprovados e consolidados ao longo dos bilênios. Irresponsável porque não estão sendo levados em conta os aspectos éticos necessariamente envolvidos em tais pesquisas. Pensa-se, por exemplo, em criar com a clonagem, um “estoque” de “peças de sobressalentes” destinadas a repor as que se desgastarem pelo uso e abuso praticados no corpo da pessoa que forneceu o material genético.

A técnica de congelar cadáveres – criogenia – parte do pressuposto de que a ciência venha a desenvolver no futuro, procedimentos e medicamentos capazes de curar as mazelas de que morreram as pessoas. E os espíritos? “Onde” ficam? Sob que condições? Até quando? Disso, ninguém cuida, pois a entidade espiritual acoplada àquele corpo é totalmente ignorada. Por ignorância mesmo, aquela que não sabe e não quer saber, por mais cultos que sejam os que realizam tais experimentações.

Sobre esse tema, escrevi, ainda, há cerca de 30 anos – não tenho, no momento, como precisar a data – um artigo intitulado “Uma ética para a genética”—uma espécie de pressentimento sobre o que estamos agora testemunhando.

Em resumo: os espíritas devem, sim, acompanhar a movimentação de idéias, fatos, estudos e pesquisas, no mínimo para se informarem do que se passa e para que continuem confiando nas estruturas doutrinárias que adotaram.



FE: Gostaríamos que falasse sobre Chico Xavier e seu papel no contexto espírita.

Herminio Miranda: Não há muito que dizer. Chico é uma unanimidade. Portou-se com bravura e digna humildade. Anulou-se como pessoa humana, para que por ele falassem seus numerosos amigos espirituais. Não há dúvida de que ampliou os horizontes desvelados pela Doutrina dos Espíritos, sem por em questionamento nenhum de seus princípios básicos; pelo contrário, os confirmou, sempre olhando para frente. O trabalho que nos chegou através dele demonstra que se pode expandir os horizontes da Doutrina dos Espíritos sem a mutilar.



FE: Que acha o senhor do movimento espírita brasileiro? Vai bem?

Herminio Miranda: Não me considero com autoridade suficiente para uma avaliação do movimento espírita. Por contingências profissionais, não me foi possível participar dele como o desejaria, mas não apenas por isso. Tive de fazer uma opção e toda opção tem certo componente limitador, porque exclui outras. Minha prioridade era escrever. Isso tem sido uma espécie de compulsão, por ser, creio eu, a principal tarefa que me teria sido confiada ao me reencarnar. E para escrever, você precisa ler, ler muito, estudar, pesquisar, meditar, organizar suas idéias e expô-las de modo consistente. Não me teria sido possível fazer tudo isso em adição ao intenso trabalho profissional e às tarefas que, porventura, me fossem confiadas no movimento.



FE: Os princípios básicos da Doutrina Espírita já eram conhecidos na Antiguidade. Quais as civilizações que mais contribuíram para a formação desse patrimônio cultural?

Herminio Miranda: A pergunta é muito ampla para as limitações de uma simples entrevista. É certo, porém, que os fenômenos de que se ocupa a doutrina são tão antigos quanto o ser humano. O aspecto que me parece mais relevante, neste caso,  é o de que a realidade espiritual sobre a qual se assenta a Doutrina dos Espíritos já estava contida nos ensinamentos de Jesus e foi ele próprio que dirigiu a equipe que trabalhou com Kardec.  



FE: Como o senhor considera o papel de Allan Kardec na elaboração dos livros básicos da Codificação?

Herminio Miranda: Seria ocioso repetir o que já sabemos. O papel dele foi fundamental na elaboração dos livros básicos. Sua percepção da relevância do que estava acontecendo com as mesas girantes, sua capacidade para ordenar todo o material que lhe foi entregue, digamos, em estado bruto, em simples cadernos de anotações e a sensibilidade para formular suas perguntas dentro de um esquema racional e seqüencial, evidenciam o acerto de sua escolha para delicada tarefa.



FE: Fala-se e se escreve muito no meio espírita sobre os três aspectos da Doutrina dos Espíritos. Qual a sua posição nessa questão?

Herminio Miranda: Não me sinto atraído por debates ou polêmicas, como o que às vezes se armam em torno de questões como essa. Está claro, para mim, que o Espiritismo tem sua vertente filosófica, a científica e a religiosa. Ao falar sobre isso, tenho em mente Religião com maiúscula; com todo o respeito devido, não me refiro às várias denominações cristãs contemporâneas. Mesmo porque o Cristo não fundou religião alguma – ele se limitou a pregar e exemplificar uma doutrina de comportamento, ou seja, como deve o ser humano portar-se perante o mundo, a vida, seus semelhantes e, em última análise, diante de si mesmo e da divindade. Ao que sabemos, jamais o Cristo cogitou de saber se sua doutrina devia ou não ser caracterizada como religião. E, no entanto, é religião, no seu mais puro e amplo sentido, de vez que cuida de nossa relação com as leis divinas. Minha opção prioritária, por assim entender, é pelo aspecto religioso do Espiritismo, sem, contudo, ignorar ou minimizar os demais. Nada tenho e nem poderia ter, contra os que pensam de modo diferente. Não vejo como nem por que disputar coisas como essa. Tenho eu de desprezar, combater, hostilizar, odiar e até eliminar aquele que não pensa exatamente como eu?

Se você prefere cuidar do vetor científico ou do filosófico, tudo bem.

Solicitado, certa ocasião, a um pronunciamento dessa natureza, entreguei pessoalmente ao eminente e saudoso companheiro dr. Freitas Nobre, um pequeno texto sob o título “Problema inexistente”, que ele mandou publicar em “Folha Espírita”. Por que e para quê todo esse debate? Começa que a posição a ser assumida ante o problema depende da conceituação preliminar do que se entende por religião. De que tipo de religião estaríamos falando? 



FE: Como o senhor situa o pensamento do Cristo no contexto da Doutrina Espírita?

Herminio Miranda: Kardec sabia muito bem o que fazia ao adotar a moral do Cristo. Afinal de contas e, ainda repercutindo a temática da pergunta anterior, o Espiritismo nos pede mais, em termos de comportamento e reforma íntima, do que a ciência e a filosofia. Há quem me considere místico, mas o rótulo não me incomoda; ao contrário, acho-o honroso e o aceito assumidadamente. Não consigo imaginar minha vida – e a vida, em geral – sem os ensinamentos do Cristo. Como sou um obstinado questionador, tenho, pelo menos, duas perguntas a formular: “Que é ser místico?” E, antes dessa: “O que é misticismo?” Um amigo meu, muito querido, costumava dizer-me isso, naturalmente, sem a mínima conotação crítica, como quem apenas enuncia um fato. Regressou antes de mim ao mundo espiritual. Passado algum tempo, manifestou-se em nosso grupo mediúnico e entre outras coisas, me disse: “Você é que estava certo.”




FE: Qual é a sua formação profissional?

Herminio Miranda: Minha formação profissional é em Ciências Contábeis, função que exerci na Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, a partir de 1948, em Nova York (entre 1950 e o final de 1954) e, posteriormente, no Rio de Janeiro, de 1957 a 1980, quando me aposentei. Devo acrescentar que no decorrer dos últimos 22 anos, estive sempre no exercício de cargos executivos no primeiro escalão da empresa ou no segundo.



 FE: Deixamo-lo à vontade para algo mais que queira acrescentar.

Herminio Miranda: Certa vez fui convidado por uma freira, amiga da família, para um encontro com seus alunos de teologia numa universidade brasileira. No dia e hora marcados, lá estava eu. Ela é doutora em teologia e sabia, naturalmente, de minhas convicções, e foi por isso mesmo que me convidou, concedendo-me oportunidade de verificar o quanto sua mente é arejada e despreconceituosa.  Perguntei-lhe sobre o que ela desejava que eu falasse. Ela propôs dois pontos: a reencarnação e como o Espiritismo considerava a figura de Jesus. Dito isso, foi sentar-se modestamente entre seus alunos e, como eles e elas, formulou várias perguntas. Passamos ali, umas duas horas numa conversa fraterna, animada e desarmada.

Digo que ela escolheu bem os temas, porque, na minha maneira de ver, a reencarnação é o cimento que mantém os diversos aspectos da realidade espiritual consolidados num só bloco. Uma vez admitida a reencarnação, tudo o mais se encaixa no seu lugar com precisão milimétrica. Isso porque, sendo como é uma realidade por si mesma, uma lei natural e não objeto de crença ou de fé, a reencarnação pressupõe existência, preexistência e sobrevivência do ser à morte corporal, bem como a lei de causa e efeito, que regulamenta nossas responsabilidades perante a vida. Mais: a reencarnação exclui do modelo dito religioso, qualquer possibilidade ou necessidade de céu, inferno ou purgatório como “locais” onde se gozam as benesses da vida póstuma ou se sofrem as conseqüências de erros e equívocos cometidos.  Do ponto de vista da teologia dita cristã contemporânea, portanto, a reencarnação é uma doutrina subversiva, no sentido de que desmonta todo um sistema teórico de idéias e conceitos tidos por irremovíveis.

Quanto ao Cristo, não há o que discutir, é a mais elevada entidade que passou pela terra.

Acho que a ilustrada irmã gostou da minha fala, dado que algum tempo depois, me convidou novamente, desta vez para falar a um grupo de sacerdotes católicos já ordenados e seminaristas em final de curso. Que também foi uma conversa amena, fraterna e franca.

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Doce Libertação, Ademir Xavier Jr., Brasil

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
Olavo Bilac, "Ouvir estrelas"
Poesias, Via-Láctea, 1888.

O fim do mês de Junho do ano passado marcou também o fim de um brilhante capítulo na história do Espiritismo. Deixou triunfante a crosta terrestre o Espírito luminoso de Francisco Cândido Xavier.

Mas todo fim contém em si um começo, já que a vida nunca estaciona, conforme sempre afirmaram os milhares de Espíritos que, por meio dessa inesquecível figura, se comunicaram conosco. É o começo de uma nova era onde colheremos os frutos de nossa sementeira cultivada ao longo de nossas vidas, regada à luz de muitos dos ensinamentos de Chico a representarem a ressurreição do mais puro Cristianismo entre nós.

Diante de Chico ficamos deslumbrados com o que o ser humano pode ser um dia e ficamos a imaginar um planeta, em um outro sistema estelar, repleto de seres como ele. Quanto deslumbramento e felicidade certamente uma esfera dessa ordem deve representar! É para onde devemos caminhar certamente, ainda que a penosos esforços no burilamento diário de nossas imperfeições. Com esse pensamento em mente podemos fazer idéia do que representa realmente a felicidade celeste e de sua marcante diferença diante de nossos ideais de felicidades terrenos. E foi Chico que nos possibilitou essa visão por ter refletido como um espelho as torrentes de luz e amor a brotarem do firmamento.

Como retribuir e reverenciar propriamente essa apoteose de luz que se fez presente na Terra ao longo desses 92 anos de existência muito bem aproveitada?  São poucas as palavras em qualquer idioma da Terra que poderiam bem descrever o que foi a vida de Chico. Distantes do tempo em que ele nasceu, nos idos da década de 1910, vivemos num mundo diferente, com muito mais recursos, e perdemos a noção das dificuldades que esse homem conheceu em nome do Espiritismo. Nunca vascilou diante dos inúmeros problemas a se multiplicarem vezes sem conta, das dificuldades de saúde, de relacionamento pessoal para com aqueles que eram incapazes de entender a dimensão de sua missão e de seus próprios desejos pessoais. Diante de todos eles, ele triunfou absolutamente. Chico Xavier é bem a prova contundente de que quanto mais um ser humano se doa para os outros - e olhe que no caso dele foram milhares -  tanto mais ele se engrandece.

O dia de seu desencarne é também o dia que nos faculta uma comparação que não poderia deixar de chamar a atenção. Quando a enorme massa popular festejava  um triunfo ilusório, libertou-se dos últimos laços que o prendiam à matéria, serenamente, sem chamar a atenção, sem exigir para si qualquer notícia mais destacada, que se empalideceu diante da festa popular. E completou assim sua existência dando-nos mais uma prova de sua humildade extraterrena. Como uma estrela, ascendeu aos planos superiores deixando aqui, plenos de saudade e muita alegria, todos nós que tivemos o privilégio de acompanhar, ainda que distantes, sua inesquecível figura.

"Ouçam todos aqueles que tem ouvido de ouvir. Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender estrelas."

Muita paz,
Ademir L Xavier Jr.
GEAE - Julho de 2003

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História & Pesquisa


(Seção em parceria com a "Liga de Historiadores e Pesquisadores Espíritas" -  Comitê Editorial da LIHPE)

O Espiritismo em Cuba, Washington Fernandes, Brasil

A história desconhecida de um país onde o Movimento Espírita foi muito atuante

O Espiritismo completará seu sesquicentenário (150 anos) em 2007, e precisamos conhecer suas raízes e desenvolvimento em todos os lugares. Por isso, vale a pena saber seu histórico num lugar em que pouco se conhece sobre ele, mas que um dia foi um dos mais destacados e atuantes do Movimento Espírita internacional. Trata-se de Cuba, 111.OOOkm2, 11 milhões de habitantes, atualmente com taxa de analfabetismo de 4%, país sem religião oficial, e que foi uma colônia espanhola até 1898, passando por curta dominação americana até 1902, quando o país se tornou independente; mas os EUA continuaram por muitos anos a exercer constante influência política na Ilha. Em 1959, através de um golpe, assumiu o governo Manuel Urtia, continuando a instabilidade no país, e em seguida Fidel Castro (1927) assumiu o governo, com o apoio comunista da URSS, acabando com todos os movimentos religiosos do país, e levando à dissolução da Confederação Nacional Espírita de Cuba e de todo o Movimento Espírita oficial, em 1963. Mas antes deste fator político, o país foi um dos mais ativos que existiram em todo o mundo na adoção e prática do Espiritismo.

Este fato extraímos do registro de um grande trabalhador que lá viveu mais de cinqüenta anos, o Sr. Luís Guerrero Ovalle (1895-1990), que nasceu em Léon, Espanha, e em 1906 se transferiu com a família para a Argentina, onde estudou e seu pai trabalhou como notário público. Em 1909 ele se mudou para Cuba, continuando os estudos e passando a trabalhar na área bancária, tendo sido administrador de vários bancos neste país, onde residiu até 1960, quando se transferiu para Miami/EUA. Aos 21 anos, plenamente adaptado à cultura cubana, ingressou no Movimento Espírita, pois começou a ler e estudar O Livro dos Espíritos, quando sua mãe desencarnou. Exerceu cargos em várias instituições espíritas, colaborou em muitos periódicos e traduziu ao espanhol obras mediúnicas de Francisco Cândido Xavier (1910-2002), Divaldo Franco (1927-), Yvonne A. Pereira (1900-1984) e outros. Nos Estados Unidos, o Sr. Ovalle foi fundador da Ciência Espiritualista Kardeciana e graças a ele pudemos tomar apontamentos da história do Espiritismo em Cuba, conforme está publicado no periódico Credo Espírita, fundado em 1981, e editado pela Libreria Kardec (Ano IV, Num 2, Miami, março de 1985 e ss.).

As fases da história espírita no país

Inicialmente, há notícias de que no período colonial os índio Tamos e Siboneyes tinham o hábito de produzir vários fenômenos espíritas, mas a partir de 1856 é que começaram a surgir os primeiros núcleos mediúnicos nas cidades de Havana, Sagua La Grande, Sancti Spiritus, Manzanillo, Caibarien e Santiago. A partir de 1870 começaram a se constituir um grande número de periódicos espíritas, como La Luz de Ultratumba (1874), La Ilustración (1878), Luz de los Espacios (1881), La Antorcha de los Espírítus (1882), El Buen Desejo (1884), La Luz del Evangelho (1885), La Buena Nueva (1886; La Alborada (1888), La Nueva Alianza, de Cienfuegos. As instituições se estruturaram e, em trinta anos, por ocasião do Primeiro Congresso Internacional Espírita, em 1888, em Barcelona, três cubanos estiveram presentes e cinco instituições se fizeram representar: Centro La Reencarnación, Havana, Centro El Salvador, de Sagua La Grande, Sociedad Espiritista, de Matanzas, Centro Lazo Unión, de Cienfuegos, Centro San Pablo de Malpáez, Quemado de Güines. Para dar-nos um referencial, desconsiderando a Espanha, país-sede do Congresso, e a França, berço do Espiritismo, Cuba foi o país que teve maior representação no evento, juntamente com o México, pois quase todos tiveram só uma entidade representante, dois países tiveram dois grupos, a Bélgica teve somente quatro. A admiração pelos cubanos aumenta se compararmos o número de periódicos espíritas que enviaram adesão a este primeiro encontro internacional pois, novamente desconsiderando a França e a Espanha (países dos quais somente quatro e nove periódicos aderiram, respectivamente), Cuba foi também o país que mais se fez representar, com três periódicos. Os outros países tiveram somente um ou dois periódicos representados, e só a Itália teve também três. Estes números demonstram que os cubanos eram muito conscientes e atuantes na própria organização e na divulgação espírita.

Federação Espiritista de Cuba

Em 22/7/1890 foi fundada a Federación Espiritista da Ia Isla de Cuba (Federação Espiritista da Ilha de Cuba), reunindo vinte e três instituições do país, considerando que não puderam participar as instituições de Matanzas e Oriente. O objetivo da Federação estava bem claro no artigo primeiro de seu Regulamento: A Federação tem por objetivo a união de todos os centros espiritistas de Cuba, para estender a propaganda do Espiritismo por meio da palavra, escrita ou falada, e a prática de toda virtude pública e privada. A diretoria da Federação denominava-se Conselho Regional, e nos anos seguintes aumentou muito o número de instituições e periódicos no país, a tal ponto que, por ocasião do Primeiro Congresso Nacional Espiritista de Cuba, no Teatro Payret, em 1920, houve 562 Delegados, 113 Centros Espíritas e 336 representações pessoais. Neste Congresso lançaram-se as bases para que, em 1922, fosse criada a Federação Nacional Espiritista da Cuba independente que, em 1941, passou a denominar-se Confederação.

Os cubanos marcaram presença no Congresso Internacional Espírita de Barcelona, em 1934, e em 1935 deram início a uma série nunca vista de Concentrações Espíritas Nacionais, que a partir de 1944 passaram a chamar-se Congressos, tendo se realizado vinte e seis eventos, de 1935 até 1963, o que significa que houve praticamente um por ano, abrangendo vários lugares da Ilha (Santa Clara, Camagüey, Havana, Matanzas, Santiago de Cuba, Villa de Guanajay Bayamo, Cóton e Pilar del Rio). Na 8ª Concentração, em 1942, decidiu-se criar a importante instituição social Clínica del Alma, em Camagüey, hospital que objetivava a cura e recuperação de obsidiados, a qual até 1966 exerceu um importante papel para a ajuda aos necessitados, quando por Decreto foi incorporada ao Ministério da Saúde Pública. Destacamos também que Cuba teve vários programas de rádio em Havana, desde 1941, como O Psiquis e o Doutrina Espírita, na rádio Alvarez.

Importantes trabalhadores espíritas cubanos

Naturalmente, impossível assinalar todos os grandes trabalhadores de Cuba, em face da pujança de seu histórico, com muitos periódicos e sociedades. Os nomes destes valorosos tarefeiros são totalmente desconhecidos dos espíritas de hoje, e por isso fazemos questão de citar alguns: no século XIX, José Martí (1853-1895), líder revolucionário e autonomista da ilha, que passou por vários países da América Central, EUA e Paris, venerado ainda hoje pela população cubana, por causa de sua atuação em prol da independência do país, e que tinha convicções espíritas; os Srs. José A. Perez Carrión, fundador do periódico La Rustración; o grande conferencista Jose Jimenez Torres, que foi um dos criadores da Federação Espiritista de Cuba, em 1890, a qual teve também a participação de Doroteo Venero, seu primeiro Presidente, Miguel Muñoz, José R. Montalvo e Francisco Castillo Catalina de Güines, todos representando diversas sociedades existentes; Eulogio Prieto, que foi o único sul-americano pertencente às Comissões Organizadoras dos 1º e 2º Congressos Internacionais Espíritas (Barcelona; em 1888, e Paris, em 1889), estando presente nestes eventos com os outros cubanos Don Tomás de Oña e Don Juan Garayo; Miguel Rubert e Santiago Cañizares, fundadores do periódico La Buena Nueva, em 1886, o estudioso do tema psiquismo filosófico, José Maria Alfonso; Miguel Chomat, Felix Ríos e José Ferrera, todos líderes de organizações; o juiz correcional Marcos Garcia. A partir de 1895, o país teve que parar suas atividades espíritas, em face dos conflitos internos para a sua emancipação, mas em 1902, com a independência de Cuba, lentamente um grupo de idealistas e dez Centros Espíritas foram retomando as atividades doutrinárias.

Assim, no século XX, destacamos o livro espírita La Filosofia Penal de los Espírítistas, com edições também na Argentina e no Brasil, do escritor, antropólogo e criminologista Fernando Ortiz (1881-1969), que curiosamente se declarava "não-espírita" (!!); Francisco Armenteros, Francisco M. González Quijano (1862-1926), que trabalhou com José Martí, Alberto Peralca, Aquiles Ortega e o escritor Don Salvador Molina, que esteve no Congresso de Barcelona, em 1934, todos da Sociedade Espiritista de Cuba, promotora do 1°Congresso Nacional do país, em 1920, o qual recebeu felicitações até do Instituto de Metapsíquica de Paris; Fidel de Céspedes, Francisco M. Gonzáles, o orador Miguel Santiesteban Barciela (desencarnado em 1979, foi Presidente da Confederação Espiritista de Cuba, desde 1936, e também da CEPA, de 1953 a 1956) e Leopoldo Lópes, que participaram da criação da Federação Espírita da Cuba independente, em 1922; o promotor Manuel Garcia Consuegra, Ramón Garcia Martí, Plácido Julio Gonzalez, diretor do periódico Rosendo, todos que muito trabalharam para a primeira Concentração Espírita, em 1935; o escritor, poliglota e articulista Antônio Soto Paz Basulto (1889-1943); Ramón Garcia Martí e o advogado Armando Labrada Canto, fundador da Clínica del Alma e ambos Presidentes das 1ª e 2ª Concentrações Espíritas (1935 e 1936), que teve Hortênsia Naranjo de Casas como secretária correspondente; o Sr. Armando foi Presidente também do 20° Congresso; Benito Carballo y Arnau, Presidente da 4ª Concentração, em 1938, que teve o médium Roberto Carmona y Cuesta como secretário e Ernesto Prieto Figueroa, como tesoureiro; o médium do Grupo Rosendo Juan Francisco Casanova, onde Carlos Millares era o Presidente; o médium Angel Manuel Balbona y Pedroso, do Grupo Francisco de Paula; Medardo Lafuente Rubio (?-1939), do núcleo de Camagüey, homenageado pelas sociedades da cidade pelo seu incansável labor espírita; na 6ª Concentração Espírita, em 1940, o Sr. Luís Ovalle fez parte da Comissão Organizadora, e destacamos neste tempo o profícuo trabalho da União das Mulheres Espíritas, em Havana e Matanzas, tendo como Secretária-Geral Ofélia Dominguez, servindo de modelo para criação da Federação Argentina de Mulheres Espíritas, em 1950, pela Sra. Josefina de Rinaldi (1909-1952); em 1946, no 12° Encontro, publicou-se um livro com um histórico de todas as Concentrações cubanas; no 14°- Congresso, em 1948, comemorou-se o Centenário do Espiritismo, no Salon del Círculo de Bellas Artes e palestra do orador Dr. Ignacio Travieso Figueras, celebrando o feito das Irmãs Fox, nos EUA; no 20° Congresso, em 1955, enviou representação o Governador de Camagüey, e o chefe do Regimento Militar, com a presença da Banda Municipal da cidade. Em 1957, houve uma grande comemoração pelos cem anos do lançamento de O Livro dos Espíritos, ocasião em que a Federação Espírita Brasileira e La Editorial Constancia, da Argentina, venderam exemplares deste livro aos cubanos por preço ínfimo. A Sra. Eva Guevara Arias, ativa trabalhadora da Federação Provincial do Oriente, até 1963, ano em que se celebrou um Congresso Espiritista Extraordinário, em Regla, Havana, o qual dissolveu a Confederação Espiritista, em face da situação política da Ilha.

Conclusão

Devemos registrar que foi aprovada no Congresso de 1920 uma moção pela qual se estabeleceu o dia 31 de março como o Dia Espírita, por iniciativa do Centro Espírita Luy y Caballero; em outubro de 1953, realizou-se o Terceiro Congresso Espiritista Panamericano, em Havana; em 21/4/1957 foi erigido em praça pública o busto de Allan Kardec, também em Havana, por iniciativa da Associação Espiritista Enrique Carbonell, mas com a revolução comunista o mesmo foi retirado da praça. O Sr. Dante Culzoni Soriano, Presidente da CEPA, enviou carta ao Presidente de Cuba, em 1972, protestando contra a retirada do busto de Allan Kardec da praça e pedindo sua reinstalação, mas não obteve resposta. Uma pessoa, o Sr. Alfredo Duran, em Havana, teria conseguido recuperar esta peça, a qual teria ficado em sua posse. Com dificuldade, conseguimos localizá-lo por telefone em Havana, e ele confirmou a história, informando que o busto se encontra em sua residência, guardado com veneração. Tendo em vista uma reportagem saída na Revista Internacional de Espiritismo, que falava sobre Cuba, contatamos por telefone Clóvis Portes, brasileiro, residente em Belo Horizonte e Ipatinga/MG, que informou que nas oito vezes em que esteve em Cuba, nos últimos dez anos, ele lá encontrou discretas sociedades espíritas, não oficiais, muitas praticando um tipo de mediunismo caribenho, e nestas viagens ele vem tentando levar uma vivência do Espiritismo fiel aos princípios de Allan Kardec.

Enfim, pela precocidade com que o Espiritismo surgiu em Cuba, em 1856, antes do próprio advento da Codificação, pelo número de sociedades e periódicos espíritas nos séculos XIX e XX, que o colocam como um dos primeiros em nível internacional; pelas incomparáveis realizações no tocante a Congressos e Concentrações Espíritas, coisa nunca vista em nenhum país do mundo; por estabelecer por moção, em 1920, o dia 31 de março como o Dia Espírita, o que só depois de décadas algumas cidades começaram a fazê-lo; por ter erigido na Capital um busto de Allan Kardec em praça pública, em 1957; pelos programas espíritas de rádio na década de 1940; por movimentar até as autoridades civis e militares em seus eventos, da Europa e América, por estes motivos Cuba possui uma grande riqueza histórica a ser descoberta e relatada. Contatos estão sendo estabelecidos com Clóvis Portes e o Sr. Alfredo Duran para se tentar levar oficialmente grandes oradores espíritas brasileiros a Cuba, ajudando a plantar as sementes para o ressurgimento dos ideais espíritas nesta Ilha, cujo histórico, apesar de desconhecido hoje, muito dignifica a Doutrina Espírita...

Washington L.N.Fernandes

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A pesquisa da Reencarnação, Milton Piedade, Brasil

"O Espiritismo deve ter existido desde a origem dos tempos; sempre nos esforçamos por provar que os seus traços são encontrados na mais alta Antiguidade." Allan kardec na Revista Espírita out 1858.
A reencarnação é um fato!

Sabemos que Pitágoras havia haurido a idéia entre os hindus e os egípcios. Assim, não é de admirar que chegou aos nossos dias trazendo em seu bojo o conhecimento humano desenvolvido através dos milênios, comprovando não ser nenhuma teoria moderna. Com o desenvolvimento das ciências positivas a partir do século XIX a idéia da reencarnação deixou de ser uma crença para ter a força de uma verdade científica.
 
Mas por que via a idéia da reencarnação veio naqueles tempos imemoriais? Por intuição ou revelação? O conhecimento humano e a ciência tinham limitações infinitamente maiores. A reencarnação só poderia ser aceita por Espíritos de escol que preparavam o árduo caminho do progresso das inteligências. Nos dias de hoje temos a possibilidade de ser esclarecidos também pelos avanços científicos. Em que pese a grande quantidade de almas ainda reticentes e apegadas a interesses temporais. 

E é também com a pesquisa científica que o Espiritismo pode derrubar as paredes que o prendem às casas Espíritas. Pode contribuir para a mudança de paradigma e a criação de uma consciência reencarnatória onde os postulados espíritas sejam aceitos por toda a sociedade, sendo difundido entre as massas e contribuindo para o esclarecimento humano, deixando de ser a reencarnação uma questão de crença. Desta forma serão compreendidos como princípios eminentemente lógicos e poderão ser aceitos sem nenhuma forma de violência à razão pois terão sido exaustivamente pesquisados e confirmados por inúmeros investigadores de qualidade.

Mas, e o esquecimento do passado? Não estaríamos agindo contrário aos ensinamentos Espíritas? Vamos deixar que nosso insigne codificador responda. "Deus permite a lembrança retrospectiva, de vez em quando, a fim de trazer os homens ao conhecimento da grande lei da pluralidade das existências, a única que explica  a origem das qualidades boas ou más, mostra-lhe a justiça das misérias que suporta aqui e lhe traça a rota do futuro", conforme exposto na Revista Espírita de novembro de 1864.
 
Allan Kardec também pesquisou a reencarnação, conforme vemos na Revista Espírita de julho de 1860. Ali buscou compreender em detalhes a vida anterior do Sr. V..., oficial da marinha francesa, que teria sido São Bartolomeu. Em uma das perguntas deixa claro o móvel da pesquisa: "Não se trata de satisfazer uma vã curiosidade, mas de constatar, se possível, um fato interessante para a ciência Espírita, o da recordação de sua vida anterior". Fica evidente que devido ao gênero da morte as lembranças, apesar de muito raras, são possíveis e úteis para o estudo e a pesquisa.  
 
Mas Kardec não parou por ai, como vemos na Revista Espírita de 1866 meses de junho e julho, onde estudou as vidas passadas do Dr. Cailleux, chegou novamente a conclusões reveladoras quando diz que "Essa lembrança é mais ou menos precisa ou confusa, às vezes nula, segundo a natureza do Espírito e segundo a Providência julga a propósito apagá-la ou reavivá-la, como recompensa, punição ou instrução". Mais adiante compara a diferença que existe no processo de consciência de vidas passadas e diz que "as coisas nele (Dr. Cailleux) se passaram de maneira diferente do que nos outros, sem dúvida por motivos de utilidade para ele e para nós é um motivo de ensinamento, pois nos mostra um dos lados do mundo espiritual".
 
Como bem demonstrou nosso codificador, a pesquisa da reencarnação não tem a preensão de tentar derrogar nenhuma Lei Natural. As lembranças reencarnatórias, ou insights, ou clarões são espontâneos assim como são naturais as BirthMarks e tudo que serve de indício de comprovação de vidas passadas. A pesquisa apenas a resgata, organiza com metodologia própria e busca na medida do possível compreender as Leis que regem o fenômeno. É pelo estudo positivo dos efeitos que se remonta a apreciação das causas.

A pesquisa da reencarnação deve organizar-se de forma que indique claramente critérios que possam ser aceitos pela comunidade científica. Achismos e meras opiniões pessoais nada esclarecem, muito ao contrário. Temos na literatura Espírita uma profusão imensa de exemplos que o codificador nos deixou do que seja uma mentalidade científica. Entre outras coisas ele nos diz que "na ausência de fatos a dúvida é a opinião sábia e prudente".  

Também a comunicação mediúnica não pode ser, pela simples razão de ser mediúnica, considerada fonte confiável, conforme nos alerta Kardec na Revista Espírita em abril 1860: "São, por vezes, heresias científicas tão patentes, que seria preciso ser cego ou muito ignorante para não as perceber". E para evitar tamanha armadilha criou método próprio, exposto no Evangelho Segundo o Espiritismo denominado Controle Universal do Ensinamento dos Espíritos - CUEE. Alí, entre outras coisas, fica evidente a importância do uso da razão, do bom senso e a necessidade do consenso entre as comunicações recebidas.
 
Não se trata aqui de reproduzir mecanicamente metodologia de uma ciência que sabemos incompetente para pronunciar-se nas questões do Espírito. As observações requerem condições diferenciadas, especiais e um outro ponto de partida. A pesquisa espírita deve, excluindo-se o que não lhe convém e adaptando-se o que for necessário, apropriar-se de meios de observação, métodos de trabalho, critérios de análise comparativa e elaboração de resultados da ciência oficial; para que seu protocolo de pesquisa tenha a legitimidade do avanço científico de nossa época.
 
O pesquisamento Espírita da reencarnação deve ser a busca minuciosa para averiguação da realidade espiritual, com investigação e estudo minudente e sistemático, com o fim de descobrir fatos ou princípios relativos a este campo de pesquisa. A produção de resultados com a conseqüente formação de banco de dados para facilitar novas pesquisas é permitir a democratização das informações ali contidas para que um maior número de pesquisadores tenham a possibilidade de acessa-las.
 
Não cabe em nossas singelas reflexões elencarmos pesquisadores ou citarmos pioneiros em pesquisa da reencarnação. Mas seria imperdoável não lembrarmos de Albert de Rochas e do Dr. Hernani G. Andrade, que em nossas terras deixou alguns tímidos seguidores. Hermínio Miranda no livro A Memória e o Tempo descreve detalhadamente o que teria sido a metodologia aplicada pelo pesquisador francês e suas minuciosas e preciosas observações.
 
Dr. Hernani no livro Reencarnação no Brasil, assim como no brilhante Renasceu por Amor também deixa explicito seu método de trabalho com protocolo de pesquisa de forma clara e acessível. Não podemos nos esquecer ainda das inúmeras pesquisas com caráter científico que são feitas com técnicas diversas. É o caso da Transcomunicação Instrumental - TCI, das Experiências de Quase Morte - EQM e da Terapia de Vidas Passadas - TVP. Todas elas, a sua maneira, contribuindo para que os postulados Espíritas possam ser aceitos nem que seja como um conjunto de evidências experimentais pelos mais céticos dos imortais.
 
Considerando que o pesquisador já tenha conhecimento suficiente da Doutrina Espírita e dos experimentos científicos realizados neste campo do conhecimento, através de revisão bibliográfica; que já tenha determinado o problema da pesquisa; que tenha conhecimento suficiente de Filosofia da Ciência, epistemologia e Sociologia do Saber. Considerando ainda que o pesquisador tenha plena clareza das questões éticas e morais envolvidas na pesquisa e na relação com o pesquisado; restaria ainda árduo trabalho de pesquisa onde a metodologia aplicada deveria sempre ser adaptada a cada caso concreto, muito antes de podermos afirmar quem é quem no processo reencarnatório.
 
Abaixo alguns poucos itens que fariam parte de um procedimento de pesquisa muito mais amplo e fundamentado:
-  Coleta de documentos (certidões/cartas/fotos/recorte jornais).
-  Registro dos dados coletados verbalmente com o pesquisado através de várias entrevistas e preenchimento de formulários (áudio, vídeo e relatórios).
-  Transcrição onde os dados serão classificados conforme: Experiências Iniciais. Informações Secundárias. Registros Físicos. Fatores Psíquicos. 
-  Depoimento de terceiros - testemunhas da época, parentes e pessoas envolvidas (áudio e vídeo)
-  Visita aos locais envolvidos na memória extra-cerebrais para investigar depoimentos.
-  Consulta a pelo menos 3 fontes mediúnicas em locais diferentes, preferencialmente na mesma data e horário.
-  Detalhamento do Perfil Psicológico (comparativo presente/passado)
-  Cruzamento comparativo de dados segundo critérios cronológicos e qualitativos.
-  Depois do Histórico completo, partiria-se para a Análise das Evidências.
-  E, por final, a análise do caso pesquisado através de todas as Hipóteses Explicativas possíveis.
 
Para o bom caminhar e desenvolvimento das pesquisas com sua conseqüente aceitação pelo público alvo, restaria ainda algumas atitudes, como:
-  Desenvolvimento de Linguagem apropriada e relacionamento com a comunidade científica.
-  Publicação regular e sistemática em livros, jornais e revistas especializadas.
-  Participação em congressos acadêmicos internacionais.
-  Relacionamento com pesquisadores de áreas correlatas como Jim Tucker. Banerjee. Stevenson, etc.
-  Estudo sistemático das matérias tecno-científicas que dão suporte à pesquisa.
-  Acompanhamento dos progressos científicos nesta área.
-  Parcerias com Centros de Pesquisa.
 
Ainda assim, em nossas conclusões deveríamos divulgar como um Caso que tem Fortes Evidências que Sugerem Reencarnação. Desta forma poderemos contribuir para a satisfação moral que naturalmente advém a todos aqueles que compreendem e praticam os conhecimentos adquiridos. Conhecimentos estes em inteligência, em saber e em moralidade que nunca se perdem; quer morramos jovens ou velhos, quer tenhamos ou não tempo de o aproveitar na existência presente, colheremos os frutos em existências subseqüentes. Estaremos assim colaborando para uma verdadeira revolução nas crenças e nas idéias, muito além das fronteiras de nossa casa Espírita.    
 
Não esperemos que a pesquisa da reencarnação tenha o suporte de projetos governamentais com desembaraço alfandegário e liberação de taxas de importação para material científico; criação de leis de incentivo fiscal para aplicação de recursos privados em ciência; apoio do CNPq, Capes, Fapesp ou aprovação no congresso de investimento governamental para pesquisa da reencarnação.

A pesquisa da reencarnação deve ter antes de mais nada o apoio da própria comunidade espírita. Se faz urgente entendermos o caráter científico que deve ter o Espiritismo e a importância que este terá para a difusão de seu corpo doutrinário e compreensão da realidade espiritual para toda a sociedade. Enquanto as pesquisas não se desenvolvem satisfatoriamente, nossa opinião a respeito de qualquer reencarnação deverá ser sempre a dúvida, que é a opinião mais sábia e prudente.
 
 Milton B. Piedade

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Reencarnação, trechos de entrevista com o Dr. Ian Stevenson, RIE  

(Trechos da entrevista publicada na Revista Internacional do Espiritismo de março de 1972)

Esteve em São Paulo nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, o Dr. IAN STEVENSON, cientista, famoso pesquisador da reencarnação e autor do conhecido livro "VINTE CASOS SUGESTIVOS DE REENCARNAÇÃO".  0 Dr. Stevenson foi recebido no aeroporto de Congonhas pela simpática diretoria e equipe do INSTITUTO BRASILEIRO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS que, com tanto idealismo, e sem medir esforços, esta colocando em bases científicas os fenômenos paranormais que surgem no Brasil.

No dia da sua chegada, o Dr. Stevenson foi recepcionado na residência do Eng.º Henrnani Guimarães Andrade e gentilmente consentiu em responder às perguntas que lhe foram feitas pela equipe do I.B.P.P. e pelo Dr. Alberto Lyra. Sabendo do interesse que todos sentem por esse assunto, que está na crista da onda, transcrevemos o diálogo.

P: Qual o número de casos registrados e em estudo, constantes dos arquivos de V Sa.?

R: 1.200

P
: Desses casos, qual a percentagem que comporta uma perfeita verificação, como ocorreu em alguns dos melhores publicados no livro "TWENTY CASES SUGGESTIVE OF REINCARNATION" ?

R: 20 %


P: Existem em sua coleção muitos casos em que o nascimento da criança foi previamente anunciado, através de sonho ou de outra maneira qualquer?

R: Sim, diversos casos, especialmente entre os índios do Alaska, na Tailândia e também no Brasil.



P: Tem V. Sa. registrado casos anunciados através de comunicações mediúnicas?

R: Sim. 0 caso de Pedro Lorenz. 0 aviso foi recebido através de uma comunicação mediúnica.



P: TROCA-DE-SEXO. Qual a porcentagem de casos que sugerem troca de sexo assinalada em sua coleção de casos ?

R: 5% em todo o mundo mas na Birmânia 20 % .



P: Acha que existe correlação entre homosexualidade e troca-de-sexo?

R: Sim, mas desconheço a percentagem.



P: SONHOS RECORRENTES a) Algumas pessoas, que presumivelmente apresentam casos de memória reencarnatória, revelam experimentar sonhos recorrentes. Durante tais sonhos vêm-se como outra personalidade ou em lugares e cenas muito características, que sugerem uma encarnação anterior. b) V. Sa. tem assinalado casos desse tipo?

R: a) Sim, de fato muitos. São interessantes e estão sendo estudados e analisados. Muitos obedecem a padrões definidos. Em geral os sonhos são vívidos e diferem dos sonhos comuns, mas nem todos são passíveis, de verificação.
b) Alguns provavelmente têm origem em vidas pretéritas.



P : REENCARNAÇAO HISTÓRICA. Algumas pessoas afirmam recordar-se de uma ou várias encarnações em que teriam sido personagens históricas. Em alguns casos, fornecem dados e manifestam comportamento que fazem supor certa realidade daquilo que afirmam. Tem V. Sa. assinalado casos dessa categoria e qual a importância atribuída por V. Sa. aos casos que sugerem reencarnação histórica ?

R : Sim, muitos, mas somente alguns, têm certo valor. De vez em quando deparamos com um caso válido. Nos EUA existe uma senhora que se lembra de fatos que indicam que ela poderia ser a reencarnação de Mme Guillon, uma médium do século 17. Mas não dou muita importância a tais casos.



P: GENIALIDADES. Muitos destes casos têm sido registrados, particularmente na música e na matemática. Crianças excepcionais têm revelado uma facilidade incomum para o aprendizado das ciências e das artes. Acha V. Sa. que tais manifestações de genialidade e precocidade poderiam ser explicadas pela reencarnação?

R: Sim, apesar de muito poucos se recordarem de vidas pretéritas. Uma menina que reside na índia, recorda-se e recita antigas lendas, hindus. Recorda-se, também, de vidas passadas. No Brasil temos o caso de uma menina que não se lembra de vidas pretéritas, apesar de sua precocidade no piano.



P: CICLOS RECORRENTES HISTÓRICOS. 0 retorno de certas peculiaridades de comportamento, tais como a moda e os costumes populares, etc. parecem sugerir uma correspondente recorrência reencarnatória de grandes grupos populacionais em conjunto. Que pensa V . Sa. desta hipótese?

R: É possível pois os homens barbudos e as mulheres de vestidos... compridos aparecem em ciclos de mais ou menos 70 anos. As barbas estiveram em moda de 1830 a 1900. De 1900 a 1965 desapareceram. Agora a moda começou de novo.



P: REENCANAÇÃO GENÉTICA. A existência de nascimento e deformidades relacionados com a encarnação prévia do paciente parece ser um fato verificável experimentalmente em alguns casos que sugerem reencarnação. Diante de tal fato, como encara V . Sa. o problema da genética?

R : Estamos começando a pensar sobre esta questão que é bastante complicada. Na Birmânia, por exemplo, conhecemos um casal de pura origem birmanesa (tez escuras e traços típicos) que teve diversas crianças louras, de traços, tipicamente europeus. Essas crianças diziam que eram britânicas ou da Europa, tinham hábitos europeus e, num país que se come com as mãos, queriam usar talheres. (Nota: Na conferência feita pelo Dr. Stevenson no dia 16.2, ele projetou diversos "slides" destas crianças e pudemos verificar que realmente se parecem com crianças européias. Dr. Stevenson assegurou que as crianças eram realmente filhas do casal. Diziam ser reencarnações de pilotos e tripulantes de aeronaves inglesas abatidas na Ásia pelos japoneses durante a última Grande Guerra.)



P: CASOS OPOSTOS AOS DE JASBIR e RAVI-SHANKAR. Tais casos revelam a possibilidade de ocorrer uma reencarnação após achar-se o corpo já formado (Jasbir) ou em adiantada fase de gestação (Ravi-Shankar) . Em ambos os casos a personalidade reencarnante já estava desencarnada. Teria V . Sa. encontrado algum caso em que a personalidade reencarnante se achasse ainda viva?

R: No caso de Ravi-Shankar, a entidade que se encarnou em seu corpo havia sido assassinada em janeiro. O menino nasceu em julho/agosto isto é, seis meses após o desencarne (do corpo anterior). A concepção ocorreu antes do desencarne. Alias, existem no Líbano muitos casos semelhantes. Os Drusos, por exemplo, acreditam que a reencarnação ocorre imediatamente após a morte.



PERGUNTAS FEITAS PELO DR. ALBERTO LYRA

P: CRIANÇAS COM LEMBRANÇAS DE REENCARNAÇÕES ANTERIORES. Poderiam tais casos ser explicados como uma qualidade peculiar que teriam essas crianças de captarem, na consciência cósmica, o que aconteceu na vida anterior de um personagem? Gardner Murphy e outros querem explicar o fenômeno pelo que denominam de "Extended Telepathy" ou "Super-ESP" (combinação de telepatia e clarividência e pré e a retrocognição - um Super-ESP consciente.)

R : Porque, então, tais crianças não demonstram possuir faculdades paranormais em outras situações? Tenho perguntado às suas famílias se têm o dom da telepatia, por exemplo, e a resposta tem sido negativa. Não podem ler os pensamentos de outros. Umas mostram uma certa aptidão. Pergunto, pois porque é que sendo possuidoras de tão grande faculdade não demonstram tê-la em outras circunstâncias? Na Birmânia e na índia no entanto lembram-se e citam até 60 pormenores de (sua vida pretérita) dando os nomes de seus antigos parentes, o número de bois que possuíam, detalhes sobre suas propriedades (terras), etc.

Com relação a Gardner Murphy e outros, a explicação que dou é a mesma. Estas crianças têm memórias e comportamento apropriados, que perduram por um período de 5 a 10 anos. A garota de São Paulo, estudada pelo I.B.P.P., por exemplo, tinha medo de aviões desde a mais tenra idade. Existe uma certa correspondência entre a personalidade atual e a da outra encarnação, visível na predileção por certas roupas, alimentos, e relacionados com a maneira com que desencarnou, o que retrata a personalidade anterior. Nesses casos observam-se conhecimentos, e ainda comportamento. A Super-ESP está fora de cogitação, pois não pode explicar completamente todo o fenômeno.



PERGUNTAS FEITA PELA EQUIPE DO I.B.P.P.

P: 0 que é que o Sr. considera uma prova científica de reencarnação?

R : Um conjunto de provas que possam levar a evidência do fato. Vamos citar um caso. Existiam duas famílias que não se conheciam. Numa destas nasce um menino com 8 ou 9 sinais de nascença dos quais existem fotografias. Esse menino se recorda de ter sido um homem que morreu assassinado por meio de punhaladas numa localidade a 60 klms de distância. 0 homem em questão de fato existiu, tendo vivido em outra cidade e falecido da forma descrita pelo menino. Na ocasião em que foi apunhalado, havia sido levado a um hospital e o médico fez uma lista de seus ferimentos. Se a lista dos ferimentos sofridos pelo assassinato for comparada aos sinais de nascença do menino, ver-se-á que conferem com exatidão. 0 menino conserva, também, a memória daquela encarnação, e seu corpo foi modelado de acordo com esta memória. Existem mais ou menos oito casos semelhantes, consubstanciados por relatórios médicos. Tais casos não se apoiam só da memória do "agente" mas, também, nos relatórios médicos. 0 caso acima narrado é o que mais se aproxima do que é considerado como uma "prova".

P: 0 que é que a Ciência oficial exige como prova para a reencarnação?

R : A Ciência nos EUA não se interessa pela reencarnação, pois a maior parte dos médicos acredita que tais casos podem ser explicados pela Super-ESP Recentemente, no entanto, alguns parapsicólogos estão encarando a reencarnação com mais seriedade.


P: Reparamos que algumas das pessoas que se recordam de prévias reencarnações têm marcas de nascença. Esta é uma das provas da reencarnação. 0 ser que está reencarnando tem uma influência organizadora sobre o embrião. Para aceitar este fato temos que aceitar, também, que existe algo que possa ligar aquele modelo ao embrião um elo. Poderíamos admitir que este elo seja um "campo". Esta é uma hipótese razoável, fundamentada em fatos. Poderíamos tentar perturbar a ação desse fator intermediário por meios físicos, isto é, campos magnéticos, e estudar a reação sobre o embrião. Teríamos naturalmente, que separar as reações puramente fisio-químicas. Se estivermos certos, aquilo que restar como reação poderia provar a reencarnação. Tem o Sr. alguma teoria sua em linhas paralelas?

R : Deve existir um elo intermediário entre uma vida e a outra. Este elo deve carregar consigo um quadro de lembranças, comportamento, fobias, temores, etc. e o poder de influenciar o embrião. 0 corpo do nascituro seria uma combinação dos componentes herdados e a influência exercida pelo elo intermediário. Este elo intermediário deve ser bastante poderoso para poder influenciar o embrião. Existe um caso na Turquia. Um bandido foi perseguido por um "gendarme" francês. Escondeu-se numa casa, que foi cercada e incendiada. 0 bandido suicidou-se usando uma arma que estava caída no chão, acionando o gatilho com o pé. A bala atravessou-lhe a cabeça. O corpo foi levado à cidade pelo "gendarme" nas costas de um burro. No dia seguinte nasceu um bebê que tinha um ferimento aberto na cabeça, que supurou durante 20 dias; tendo os pais que levá-lo ao hospital para tratamento. Aquela criança não só tinha o sinal de nascença que se assemelhava ao ferimento do bandido, mas conservava as memórias do desencarnado, e odiava os soldados franceses.

Questões e Comentários 


Texto sobre o suicídio no Boletim 334, Ricardo, Brasil

No Boletim: Ano 07 - Número 334 - 1999 - 2 de março de 1999, no texto  Alguns Argumentos contra o Suicídio (III), Rubens Santini, Brasil, encontramos o seguinte trecho:

    Eis sua carta de despedida:
   “Em 26 de novembro de l890. 10 horas da noite."

A questão é que Camilo suicidou-se em 1/6/1890, e não “alguns meses depois”, como informa o autor, cujo estudo é muito importante para o Movimento. Valeria a pena, pela relevância do referido texto para todos os estudiosos, corrigir os dados. Entretanto, especificamente em relação à carta de despedida, interesso-me muito por saber a fonte, já que não corresponde à data real.

Obrigado pela atenção! Jesus os abençoe!
Ricardo Gauche

Que a Paz de Jesus esteja no coração de todos vocês!
 
Fico muito feliz com a atitude de nosso Irmão Ricardo Gauche. Todo Espírita deve ter um senso crítico apurado, devendo questionar e procurar sempre se informar, se aprimorar e estar constantemente estudando e, principalmente, colocar tudo isto em prática para auxiliar aos Irmãos que não tem acesso a todas essas informações que nós Espiritas possuimos!
 
No assunto em questão, a data da carta de despedida de Camilo Castelo Branco, segundo o autor do livro "O martírio dos suicidas" - Almerindo Martins de Castro - Ed. FEB, a carta é verídica, já comprovada a sua autenticidade, mesmo com a data em questão não correspondendo a data do triste fim do saudoso escritor português. Sugiro a leitura deste livro, o autor faz algumas abordagens muito interessantes sobre o tema do suicidio.
 
No mais, me coloco a disposição para o esclarecimento de quaisquer dúvidas.
 
Que o nosso Mestre Jesus ilumine nossos caminhos!
 
 Grande abraço,
 Rubens Santini

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Painel

Novidade dos Estados Unidos, Elza D’Agosto

Caro Senhores,

Gostariamos de comunicar a comunidade Espírita que no Grupo Espírita Amor e Luz em Newark, New Jersey, Estados Unidos, temos 3 noticias para possivelmente serem inclusos em seus boletins:

1) Exemplo de integração e fraternidade - O nosso grupo de estudos da Codificação em Inglês está integrado em uma instituição que funciona primeiramente em Portugues. O tamanho do grupo varia entre 8 a 12 pessoas, a grande maioria são americanos. Membros do Departamento de Inglês se revezam na participação nos estudos doutrinários dos brasileiros proferindo a oração de abertura e também lendo o tema de inspiração da noite. Usam "Filho de Deus" de Divaldo Franco e "Agenda Cristã" de André Luiz. Também colaboram pelo sucesso financeiro da casa como sócios contribuintes, desde Fevereiro 2003 quando o centro mudou de Fairview para Newark.

2) Passes  - A Sra. Bernadine Trubilla se tornou a primeira passista americana do centro desde Junho de 2003. Ela atua na sala de passes ao lado dos passistas brasileiros que geralmente atendem aproximadamente 200 pessoas por noite.    

3) Treino Mediúnico - Sete membros do Departamento de Inglês começaram a estudar mediunidade em Inglês, logo começarão o trabalho mediúnico em uma reunião mediúnica tal como a dos brasileiros. A partir de Junho 2003. 

Elza D'Agosto
Coordenadora do Departamento Ingles.

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Divaldo Franco na Europa em 2003, Elsa Rossi

Uma vez mais, as Instituições Espíritas na Europa tiveram a alegria de receber  no primeiro semestre de 2003, a visita de Divaldo Pereira Franco.

O professor Divaldo P. Franco permaneceu  45 horas dentro de aviões; 56 horas dentro de trens e carros; visitou 12 países, percorreu 22 cidades; proferiu 24 Conferências;  realizou 8 Seminários; 1.200 pessoas foram ouví-lo; em 4 reuniões recebeu trabalhadores e dirigentes para orientação e concedeu 4 entrevistas em 3 países.

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Desencarnação do Sr. Horace Willer

Recebemos um e-mail de Elsa Rossi informando-nos da desencarnação do Sr. Horace Willer no dia 27 de junho. O Sr. Horace atuava na tradução de obras espíritas para o inglês e também na versão em Esperanto do Boletim Europa do Conselho Espírita Internacional.

Gostariamos de deixar nossa sincera homenagem ao companheiro de divulgação espírita que retornou ao plano espiritual e nossos votos de que prontamente esteja recuperado no novo ambiente e trabalhando novamente junto ao movimento espírita Europeu ! A desencarnação, como sabemos, é apenas uma transição de estado e o inicio de uma nova etapa de vida e de trabalho.

Muita Paz,
Carlos Iglesia

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GRUPO DE ESTUDOS AVANÇADOS ESPÍRITAS

O Boletim GEAE é distribuido por e-mail aos participantes do Grupo de Estudos Avançados Espíritas
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